Vieiros - Xoves, 26 de outubro de 2000
Castigado por denunciar a venda ilegal de armas
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Um repórter do jornal A Gazeta, de Mato Grosso, foi "punido" pela Justiça por denunciar o comércio clandestino de armas no Shopping Popular (dos camelôs), no bairro do Porto, em Cuiabá. O jornalista foi acusado de porte ilegal, mas segundo aquele jornal, não há informação de que tenha sido aberto qualquer inquérito policial para investigar a denúncia que ele fez. Sílvio Carvalho, de 29 anos, não poderá sair de casa depois das 23h00, nem ausentar-se de Cuiabá por mais de trinta dias, o que será considerado uma fuga. Deverá ainda doar quatro cestas básicas, no valor de 25 reais cada, a uma instituição de caridade, durante seis meses. Além disso, uma vez por mês terá que comparecer no Fórum Criminal para comprovar que está a cumprir a sentença. Para sair destas regras, terá que pedir autorização legal, sendo tratado como "sujeito pernicioso à sociedade". Fazendo-se passar por um cidadão comum, Sílvio Carvalho saiu da redacção d'A Gazeta, acompanhado pelo fotógrafo Chico Ferreira, no dia 26 de Junho de 1998, por volta das 14h00, com a função de comprar um revólver e denunciar, através de reportagem, a venda fácil de armamentos ilegais. "Chegámos ao Shopping Popular e conversamos com dois ou três camelôs, que não vendiam armas. Mas eles indicaram aquele que vendia. Fui até ele. Contei que havia sido assaltado e queria um revólver para me defender. Levamos um papo normal. Ele me ofereceu um revólver de mais de quatrocentos reais. Reclamei que era muito caro. Então, ele ofereceu um mais barato, de 180 reais. Pedi um tempo. Fui ao orelhão, liguei para a chefia de reportagem. O sector financeiro disponibilizou o dinheiro. Fui à redacção, peguei o dinheiro e comprei um revólver da marca Taurus, calibre 32", lembra Sílvio. A chefia de reportagem entendeu que o melhor a fazer seria encaminhar a arma descarregada ao Fórum Criminal. Menos de uma hora depois da compra, o revólver foi entregue, pelo próprio repórter, nas mãos do juiz Rondon Bassil. De pouco serviu: o repórter foi mesmo punido, numa decisão que está a ser muito criticada pelos jornalistas do Mato Grosso. |