Diário de Notícias - 26 de Fevereiro de 2001

Influência de paramilitares colombianos preocupa EUA

Departamento de Estado contabiliza 779 execuções

O último relatório do departamento de Estado norte-americano sobre a situação actual do conflito colombiano deixou as autoridades de Washington preocupadas com o aumento da influência dos paramilitares liderados por Carlos Castaño. Durante o ano passado o peso das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) "foi crescendo e lutaram por estender a sua presença" por uma área maior do país, diz o documento.

"Apesar de se apresentarem como um grupo com agenda política, continuaram a ser uma força mercenária financiada por actividades ilegais e por sectores da sociedade que são alvo da guerrilha", explicam os especialistas do Departamento de Estado.

Também, em relação às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o relatório adianta que o aumento dos abusos inflijidos pelos guerrilheiros contra os camponeses (fala-se de 225 execuções extrajudiciais) fez crescer o apoio da população aos paramilitares.

Embora, não seja de menosprezar a hipótese de que as ameaças violentas das AUC contra os camponeses tenha levado muitos a evitar, por medo, dar a sua ajuda às FARC.

Só no ano passado, as forças de Castaño executaram 779 pessoas.

Apesar de, ao contrário de outros anos, o estudo não definir nenhuma "certificação" concreta para a Colômbia, ganha maior importância por se tratar de um instrumento de trabalho a utilizar pelo Congresso dos EUA cada vez que tiver que se decidir sobre as "ajudas" ao Governo do Presidente Andrés Pastrana.

O Executivo de Bogotá também não escapa às críticas. Para o Departamento de Estado, apesar de alguns avanços, o Gabinete de Pastrana foi incapaz de acabar com a relação estreita entre alguns sectores militares e os esquadrões da morte de Carlos Castaño. "Apesar de alguns julgamentos e sentenças, as autoridades quase nunca levaram a tribunal oficiais de alta patente."

Como tal, o ano 2000 mostrou um país onde "as forças de segurança continuaram cometendo sérios abusos aos Direitos Humanos, incluindo execuções extrajudiciais".

Porém, destaca-se o facto positivo de, em Outubro do ano passado, terem sido suspensos 388 oficiais do exército.