Folha de São Paulo, 13 - III - 2001

Começa julgamento de ex-prefeito de Ruanda
acusado de genocídio

da Reuters, em Nairóbi

Um ex-prefeito de Ruanda foi levado a julgamento em uma corte da ONU hoje por participar de genocídio no país da África central.

Juvenal Kajelijeli era prefeito de Mukingo quando o genocídio começou. Ele enfrenta onze acusações, que vão de assassinatos a crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

O grupo militante hutu voltou-se contra os tutsis e os hutus moderados em Ruanda em 1994, matando cerca de oitocentos mil deles em dez dias e dando sequência à morte dos presidentes da Ruanda, Juvenal Habyarimana, e do Burundi, Cyprien Ntaryamira.

O promotor Ken Fleming disse à corte que Kajelijeli, que alegou inocência das acusações, formou um grupo de extremistas hutus horas após a morte dos presidentes e lhes disse: "Vá e mate, extermine os tutsis".

Fleming disse que ele irá convocar testemunhas que poderão prestar depoimento e confirmar que Kajelijeli supervisionou o massacre de 78 pessoas em duas de suas casas na comunidade, incluindo pessoas que participaram das mortes e já confessaram.

Uma mulher irá testemunhar que ela ouviu Kajelijeli mandar seus militares "procurar as garotas, estuprá-las e matá-las depois", afirmou o promotor. Ela disse que depois viu a sua filha de quinze anos ser estuprada.

O julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra da ONU para a Ruanda, na cidade de Arusha, ao norte da Tanzânia, continua amanhã.