Folha de São Paulo, 22 - III - 2001

Igreja australiana pede desculpas
por abusos de crianças

da Reuters, em Sydney

A Igreja Católica da Austrália pediu desculpas hoje aos imigrantes britânicos e malteses que chegaram ao país quando crianças e sofreram abusos tais como estupros, açoitamento e trabalho escravo em instituições católicas, entre 1938 e meados dos anos 1960.

Dois organismos da Igreja disseram que o programa de imigração, pelo qual mais de mil crianças britânicas e 310 de Malta foram enviadas a escolas católicas na Austrália, teve graves falhas e resultou no sofrimento das crianças.

Um inquérito parlamentar realizado na Grã-Bretanha revelou que algumas das crianças, muitas das quais eram órfãs e que tinham em média nove anos de idade, foram sujeitas a abusos sistemáticos em escolas religiosas na Austrália, Nova Zelândia e outros países.

Eram estupradas, açoitadas com chicotes de couro, com frequência obrigadas a brigar por migalhas de pão jogadas no chão e destituídas de seus nomes. Em algumas escolas, eram obrigadas a construir prédios, fazendo o trabalho de adultos.

A ordem religiosa católica australiana dos Irmãos Cristãos divulgou um pedido de desculpas em 1993. A própria Igreja fez o mesmo nesta hoje.

Em comunicado à imprensa, dois comitês da Igreja Católica da Austrália disseram ter "a dolorosa consciência de que algumas crianças sofreram abusos físicos, sexuais e emocionais, e isso é motivo de profunda vergonha e remorso de nossa parte".

Segundo os grupos, uma verba de US$ quinhentos mil já foi separada para ajudar os ex-imigrantes infantis a viajar de volta a seus países de origem, especialmente para reunir-se com familiares. Uma quantia igual será gasta com ajuda psicológica e serviços relacionados.