El Mundo - Domingo, 29 de julio de 2001

Los combates en Angola
podrían provocar miles de refugiados

KUITO.- Las operaciones militares de limpieza emprendidas por las tropas angoleñas contra los rebeldes de la Unión Nacional por la Independencia Total de Angola (UNITA) apostados en el norte del país podría provocar la huida de miles de personas, según comunicaron ayer fuentes humanitarias.

«Alrededor de 13.000 personas podrían huir en los próximos dos meses desde Camacupa, 72 kilómetros al noreste de la capital», confirmó a la agencia Reuters un cooperante desplazado a la región. «La seguridad en la provincia no ha sido restituida», añadió.

Camacupa ya acoge a 15.000 refugiados desplazados por los combates vividos al norte de la capital, Kuito. El pasado mes de marzo, unos 7.000 civiles abandonaron el noreste huyendo de los combates. En junio fueron 8.000 las personas que se vieron obligadas a buscar refugio.

El Ejército angoleño reanudó a principios de año los combates contra los rebeldes de UNITA apostados en la provincia norteña de Bie. Sus unidades también combaten al noroeste de Kuito, en la frontera con la provincia de Huambo, según los humanitarios que trabajan en la zona.

Solución militar

Los cooperantes internacionales se han convertido en los escasos testigos de las matanzas de ambos bandos. A pesar de la diferencia numérica de las fuerzas implicadas en este conflicto -el Ejército angoleño cuenta con unos 100.000 efectivos, frente a los 12.000 rebeldes que componen UNITA- la guerrilla continúa lanzando ofensivas esporádicas, lo que lleva a los analistas a pensar que el conflicto carece de solución militar.

Diário de Notícias - 30 de Julho de 2001

Situação humanitária agrava-se em Angola

Continuação do conflito armado faz afluir cada vez mais refugiados
aos centros de acolhimento, esgotando os "stocks" de produtos alimentares

Paulo Julião. Correspondente em Luanda.

A situação humanitária voltou a agravar-se em algumas regiões de Angola, refere o relatório semanal do Gabinete de Coordenação da Ajuda Humanitária (OCHA).

A situação é mais grave nas províncias do Bié, Benguela, Huambo, Lundas e Moxico. O documento atribui a degradação da situação humanitária à presença de novos deslocados de guerra nos centros de acolhimento, como resultado de intensificação de confrontos militares entre as forças do Governo e da UNITA.

Samba Caju e Lucala (província do Cuanza Norte) e a cidade do Luena (Moxico) são as localidades que receberam novos deslocados oriundos das zonas de conflito.

Em Benguela, os municípios de Balombo e Cubal destacam-se nas necessidades, com perto de 4 500 crianças a apresentarem sinais de desnutrição aguda, facto que levou o Programa Alimentar Mundial (PAM) a elaborar um programa de emergência para aquela região, de cerca de 14 toneladas de víveres semanais.

No Bié, a situação alimentar ainda requer muitos cuidados em Camacupa, onde perto de três mil crianças correm sérios riscos por padecerem de desnutrição e diarreias agudas.

O PAM tem assistido esta região através da Caritas de Angola, que administra uma cozinha comunitárias para perto de 2 500 crianças.

Mesmo assim os apelos dos organismos internacionais são incessantes por causa do insuficiente stock alimentar disponível em Angola.

A cidade do Huambo tem perto de 25 800 deslocados de guerra e a sua situação humanitária requer também atenção especial.

A vida de deslocados nas áreas de acolhimento parece não agradar a muita gente habituada a trabalhar para o seu próprio sustento e encontrar meios de sobrevivência. O relatório da OCHA refere que muitos deslocados de guerra têm manifestado o desejo de regressar imediatamente às suas áreas de origens, bastando para tal que sejam garantidas as condições de segurança.

Apesar da instabilidade um pouco por todo o país, os operadores humanitários continuam a distribuir víveres e a prestar outros tipos de assistência humanitária onde tem sido possível trabalhar com relativa segurança.

A OCHA faz referência à província de Cabinda, caracterizando a situação como estável, mas dá conta que, em Chivovo, os regressados da República Democrática do Congo não possuem actualmente abrigos nem alimentação, podendo a situação agravar-se com a chegada de 1 500 pessoas na última semana deste mês.

Todo o esforço dos operadores humanitários em apoiar as vítimas da guerra em Angola tem sido obstruído pelas acções militares e acidentes com minas.

A referência maior no capítulo da segurança vai para a província do Bie, em cuja capital, Cuíto, a tensão aumentou, incluindo tiroteios no seio das comunidades residentes e deslocadas.

Mas a maior preocupação dos organismos internacionais que apoiam os deslocados de guerra é a redução substancial do stock alimentar em Angola.

Até 8 de Julho último, o PAM apenas recebeu 26 por cento dos recursos necessários para a assistência de emergência aos novos deslocados de guerra em Angola.

O PAM receia a existência de uma apatia por parte de potenciais doadores, que começam a revelar cansaço com o conflito angolano.