Diário de Notícias - 7 de Agosto de 2001

Situação das crianças em Angola
preocupa Israel e UNICEF

O representante em Angola do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Bloomberg, afirmou ontem em Luanda que a situação das crianças angolanas é "péssima", salientando que a mortalidade infantil "é uma das piores do mundo".

Anthony Bloomberg, presente na cerimónia de assinatura de um acordo entre a UNICEF e o Governo de Israel tendo em vista apoiar o projecto de alerta contra as minas em Angola, salientou que existem muitos programas de cooperação com o Governo angolano, especialmente na área da saúde.

"Temos um projecto de combate à malária, apoiamos também programas de medicamentos essenciais para além de um projecto de nutrição tais para o tratamento de crianças desnutridas", afirmou.

Segundo este responsável, a UNICEF "está também a implementar em Angola programas na área da água e saneamento, educação, protecção da criança e de sensibilização contra as minas".

Para Bloomberg, "a província do Bié é a região do país onde a situação da criança é mais preocupante". O representante da UNICEF admitiu, no entanto, que "ultimamente a situação da criança tem estado mais estável, apesar de continuar muito frágil, sendo por isso necessário acompanhar a evolução da situação para assegurar que não piore".

No âmbito deste acordo, orçado em 60 mil dólares (cerca de 13 milhões de contos) que decorre até Dezembro de 2002, serão enviados a Angola quatro especialistas israelitas para apoiar o projecto de sensibilização e mobilização social contra as minas.

Por seu lado, a embaixadora de Israel em Angola, Tamar Golan, manifestou a disponibilidade do seu país para continuar a apoiar este projecto. "Espero que Angola não tenha mais vítimas de minas e que cuidemos das pessoas que sofreram da acção desses engenhos mortíferos, para o que daremos sempre uma contribuição cada vez maior a Angola", salientou Tamar Golan.

Angola é considerado um dos países mais minados do mundo, estimando-se que possam existir cerca de 10 milhões de minas enterradas em solo angolano.