Folha de São Paulo, 29 - VIII - 2001
Islã obriga mulheres a cobrirem o rosto na Caxemira
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da Reuters, em Sringar (Caxemira) Milhares de muçulmanas começaram a usar véus na Caxemira, às vésperas do prazo estipulado por um grupo militante para que todas sigam os códigos religiosos mais rígidos sobre vestimentas estabelecidos pelo Islã. Lojistas disseram que a venda de véus e burqas (vestimenta que cobre todo o rosto da mulher) cresceu em toda a região depois que um grupo quase desconhecido, o Lashkar-e-Jabar, definiu que a partir de 1º de setembro as mulheres precisariam adotar o código de vestuário. O medo entre as mulheres se espalhou depois que duas delas, que não estavam vestidas de acordo com o código, foram atacadas com ácido em uma rua de Sringar por militantes do Lashkar-e-Jabar. O grupo não disse que punição imporá às mulheres que desrespeitarem suas ordens, mas elas dizem que não estão dispostas a se arriscar, já que a medida conta com o apoio de um grupo de mulheres separatistas, o Dhukhtaran-e-Milat. "A ameaça agora parece legítima, por isso estou comprando um abiyah (véu)", disse a professora Amina Khan, junto com amigas em uma loja de Sringar. "Não podemos correr riscos". Muitas mulheres em Sringar apoiam o uso do véu. "O véu é bom para as muçulmanas, mas os ataques com ácido não têm lógica. Os militantes deveriam difundir sua mensagem às mulheres por meio de pregadores religiosos", disse Nighat Yasmeen, com a cabeça coberta. Os principais grupos rebeldes da Caxemira atribuíram os ataques com ácido a agentes indianos. As autoridades disseram ter reforçado o policiamento junto a escolas para evitar novos incidentes como esse. A maioria das estudantes de Sringar já usa o véu para sair. "Fico triste com o silêncio dos homens sobre o assunto. Sempre que eles têm problemas, as mulheres saem em seu socorro. Quando eles são presos, vamos para as ruas protestar. Quando eles morrem, nós os velamos", disse a aluna Uzra Farooq. A Caxemira é a única região da Índia com maioria muçulmana. Mas os militantes radicais nunca conseguiram impor normas fundamentalistas na Caxemira, onde a maioria da população segue o sufismo, vertente do Islã com um modo de vida mais tolerante. Os guerrilheiros separatistas já proibiram salões de beleza, cinemas e lojas de vinhos -alguns desses lugares funcionam sob proteção do governo. As autoridades locais dizem que a população da Caxemira sempre soube resistir ao fundamentalismo islâmico, e que isso vai acontecer novamente com a questão do véu. |