Folha de São Paulo, 4 - IX - 2001
Buenos Aires registra 700 casos de tortura policial em 1 ano
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da Reuters, em Buenos Aires A Justiça da Província argentina de Buenos Aires denunciou o registro de 700 casos de tortura em delegacias do distrito somente no último ano. Alguns deles incluem a aplicação de instrumentos utilizados durante a ditadura militar no país. "Entre setembro do ano passado e agosto deste ano foram registrados 700 casos", disse Miguel Angel Aguirre, porta-voz da ouvidoria de Buenos Aires. "Destes, 400 não foram denunciados, mas surgem a partir de testemunhos dos torturados. Em geral, as pessoas não denunciam por medo de represálias", afirmou. O organismo afirmou que as pessoas detidas em delegacias da província sofrem desde golpes com objetos contundentes até aplicação de choques elétricos, prática utilizada por militares durante o regime de 1976 a 1983. Segundo Aguire, também é utilizada a prática de asfixia em água. A entidade pediu para a Suprema Corte de Justiça da província realizar inspeções periódicas nas delegacias, que estão superlotadas. A denúncia deve "ser uma pequeníssima parte dos casos, as pessoas não denunciam por terem medo", disse a advogada María del Carmen Verdú, chefe da Coordenadoria contra a repressão policial. As acusações coincidem com o aumento da criminalidade na Argentina na última década. As denúncias, que representam 30% de todos os delitos, cresceram 89,6% em todo o país, segundo o Ministério da Justiça. Em maio, a Província de Buenos Aires declarou emergência carcerária por 12 meses devido ao número de detidos e à deterioração dos prédios penais. A população penitenciária da província, maior do país, cresceu cerca de 35% em 2000, segundo o governo local. No ano passado ocorreram 33 rebeliões em presídios argentinos, maior índice nos últimos 15 anos, de acordo com estudos privados. |