Folha de São Paulo, 6 - IX - 2001
Jornalistas dissidentes exigem direito de sair de Cuba
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da Reuters, em Havana Um grupo de jornalistas cubanos, que desafiou o presidente Fidel Castro ao trabalhar para a mídia internacional sem autorização do governo, exigiu hoje permissão para que cinco profissionais da mídia emigrem para os Estados Unidos. A Associação de Jornalistas Manuel Marquez Sterling, que representa metade dos 80 repórteres dissidentes, informou que as autoridades norte-americanas garantiram cinco vistos aos profissionais que estavam sofrendo perseguição política, mas que Havana havia bloqueado a saída deles. "Nós exigimos a autorização para que esses cinco jornalistas emigrem", disse a Associação em uma carta enviada ao ministro do Interior, Abelardo Colome Ibarra. O grupo disse que os cinco profissionais estavam em uma "situação preocupante" devido a recusa das autoridades locais em conceder a eles o cartão branco, documento necessário para que os cubanos saiam do país. Gustavo Cardero Rodriguez, um dos cinco jornalistas, estava para sair legalmente em setembro de 2000, mas seu cartão branco foi confiscado dias antes da data da viagem e em uma medida desesperada, ele saiu em alto-mar e foi pego pela Guarda da Costa Norte-Americana, disse o grupo. Arbitrário O corpo de jornalistas dissidentes -formado este ano e denominado como Jornalistas Cubanos do século 20- também protestou pelo direito de deixar Cuba, que segundo o grupo é assegurado pela Declaração dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. "Vivemos em um sistema completamente arbitrário", disse Victore, que conseguiu um visto em fevereiro de 2000, durante uma entrevista pelo telefone. "Fidel Castro estava na África do Sul, na conferência anti-racista criticando a escravidão, sendo que ele é o maior escravocrata, porque seu Estado controla todos os movimentos dos cubanos", disse. Os jornalistas dissidentes atuavam em Cuba sem autorização, escrevendo e mandando histórias pelo telefone, por fax ou pela internet. |