Diário de Notícias - Quinta Feira 20 de Dezembro de 2001
Cinquenta milhões de crianças sem registo
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Cinquenta milhões de crianças de todo o mundo não foram registadas à nascença, o que as torna presas das redes de prostituição, afirmou ontem o comité das organizações não governamentais, que trabalha de forma permanente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A UNICEF referiu, a este respeito, a existência de 40 milhões de crianças nesta situação, em 1998, mas, de acordo com os dados publicados pelo Fundo, este número aumentou para 50 milhões, assinalou Ellen Mouravieff-Apostol em nome do comité, numa reunião de trabalho do II Congresso contra a exploração sexual de crianças, que decorreu em Yokohama desde o passado dia 17. Há, no entanto, certas regiões mais atingidas por este fenómeno do que outras, nomeadamente a África subsaariana, onde 71 por cento das crianças não foram declaradas, e mesmo os países industrializados têm dois por cento, o que é preocupante. Apesar dos esforços enviados recentemente por diversos países, entre eles a Tailândia, a situação parece não apresentar melhoras significativas. Para Kori Egge, coordenadora da UNICEF no Uganda, 90 por cento da população deste país não tem estado civil, apesar de este ser um direito universal da criança nos termos da Convenção Internacional de 1989, salienta. Há também a registar o rapto de mais de 10 mil adolescentes por rebeldes do norte do Uganda para se tornarem soldados ou objectos sexuais. Mais de um milhão de órfãos, filhos de pessoas falecidas com SIDA, não podem assim ficar com os bens dos pais devido à falta de identificação. |