Diário de Notícias - Sábado 29 de Dezembro de 2001

Putin acusado de desrespeitar Direitos Humanos

FRANÇOISE MICHEL, jornalista da AFP, em Moscovo

Guerra na Chechénia, destruição dos últimos media da oposição, fim da comissão dos indultos, caso Pasko: a situação dos Direitos Humanos agravou-se na Rússia de Vladimir Putin em 2001, segundo defensores das liberdades.

"Liberalismo face ao Ocidente, Estado policial na Rússia: é a natureza do regime de Putin como nos mostrou o caso Pasko", diz Lev Ponomarev da organização Para os Direitos Humanos.

A condenação a quatro anos de prisão do jornalista militar por "espionagem" suscitou a indignação de numerosas organizações e de uma parte da imprensa russa. A Alemanha e a UE pediram a revisão do processo, enquanto a França pediu o "tratamento justo" do antigo oficial.

O embaixador americano em Moscovo, Alexander Vershbow, afirmou que o seu país "leva muito a sério as preocupações apresentadas pelos defensores dos Direitos Humanos". No entanto, o Departamento do Estado americano nada disse enquanto a Rússia ofereçeu o seu apoio incondicional aos EUA na sua operação contra o regime talibã.

O jornalista foi condenado por ter assistido a uma reunião do Estado-Maior da frota russa do Pacífico, durante a qual recolheu informações secretas com o objectivo de as dar aos media japoneses que investigavam os resíduos radioactivos e químicos lançados pela marina russa.

Na mesma semana, Putin extingiu a comissão dos indultos criada em 1992 por Boris Eltsin, símbolo da democracia, segundo as organizações de defesa dos Direitos Humanos. Decidiu substituí-la por comissões regionais dependentes dos governadores.

Os indultos vão drasticamente diminuir após esta decisão, numa altura em que as prisões russas estão "lotadas" com um milhão de detidos, um recorde na Europa.