BBC Brasil - 19 de julho, 2002
500 morrem de fome em Angola, diz líder da UNITA
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Pelo menos 500 pessoas teriam morrido de fome e doenças desde abril em Angola em áreas de aquartelamento montadas para ex-rebeldes e suas famílias, segundo Paulo Gato, líder interino da UNITA (União Nacional pela Independência Total de Angola). Gato disse que as autoridades do país têm tentado ajudar os milhares de ex-combatentes, mas que é preciso fazer mais. A situação das pessoas nos campos para ex-rebeldes também tem atraído a atenção da ONU, que está pedindo mais dinheiro para ajudar aos cerca de 2,5 milhões de civis que precisam de assistência imediata. A UNITA diz que seus cerca de 85 mil ex-combatentes receberam promessas de boas condições nos campos que foram criados para os abrigar. Perspectiva "Eles nos garantiram que haveria um apoio decente nos campos", disse Paulo Gato. "Ninguém deve morrer em nome da paz. Agora, a responsabilidade é da comunidade internacional", acrescentou. Como parte do processo de desmobilização dos ex-rebeldes, oficiais do Exército angolano estão recrutando cinco mil membros da UNITA. Mas, para a maioria dos combatentes da Unita e suas famílias - cerca de 300 mil pessoas -, não há perspectiva imediata de saída das áreas de aquartelamento. Banditismo Gato disse estar preocupado com a situação, que, na opinião dele, pode levar parte dos ex-rebeldes a se tornar bandidos armados ou a retornar à guerra, caso as suas condições de vida não melhorem. "Isso é muito perigoso para o processo de paz", disse Gato à agência de notícias France Presse. Ele também demonstrou preocupação com o destino dos 80 mil ex-combatentes que não serão aproveitados pelo Exército. "Que perspectivas eles têm? Que futuro? Isso está me tirando o sono", disse Gato. A ONU ecoou as preocupações de Gato. Kenzo Oshima, que trabalha no esforço de ajuda humanitária, disse na quarta-feira que os ex-combatentes e suas famílias não estão recebendo assistência suficiente. Oshima disse ao Conselho de Segurança da ONU que a operação de ajuda em Angola - a maior no mundo - está sendo prejudicada porque apenas 35% do dinheiro prometido foi entregue. |