Folha de São Paulo, 13 - VIII - 2002

Monges tibetanos são presos
por ouvir música pró-independência

da Reuters, em Lhasa (China)

A polícia chinesa prendeu cinco monges tibetanos em um monastério de Lhasa (capital do Tibete), três deles por ouvirem fitas cassetes com músicas pró-independência e dois por tentarem hastear uma bandeira tibetana.

Os monges do monastério de Drepung, nas proximidades de Lhasa, foram levados pelas autoridades há doze ou treze dias, pouco depois do festival anual de Shoton, quando uma imagem gigante do Buda, em um tecido, é revelada para dezenas de milhares de peregrinos.

As prisões são parte dos esforços da China para acabar com o sentimento separatista na região e com a fidelidade ao Dalai Lama, líder espiritual do Tibete atualmente no exílio.

Três dos monges foram flagrados ouvindo músicas pró-independência.

Os outros dois viram-se acusados de tentarem hastear uma bandeira tibetana no festival de Shoton, no ano passado, o quinquagésimo aniversário da invasão do Tibete pelos soldados chineses.

As prisões aconteceram cerca de uma semana antes de repórteres estrangeiros terem tido permissão para visitar a região, em esforços do governo chinês para mostrar o desenvolvimento econômico e social, além das liberdades cultural e religiosa, supostamente vigentes ali.

O secretário do Partido Comunista no Tibet afirmou aos repórteres na semana passada que a região gozava de uma completa liberdade religiosa e que a maior parte dos moradores dali havia perdido a fé no Dalai Lama, no exílio no norte da Índia desde a fuga após uma tentativa fracassada de revolução, em 1959.

Os tibetanos entrevistados com a supervisão de autoridades locais repetiram o discurso oficial da China. Mas algumas pessoas, longe dos olhos dos representantes chineses, declararam-se fiéis ao Dalai Lama.