Folha de São Paulo, 14 - VIII - 2002
Assassinos de gays têm mais impunidade,
diz estudo na Austrália
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a Reuters, em Camberra Os assassinatos de homossexuais na Austrália tendem a ser excepcionalmente brutais e menos elucidados do que outros casos de homicídio, segundo um estudo do Instituto de Criminologia do país. O relatório avaliou 74 homicídios de homossexuais, cometidos entre 1980 e 2000 na região de Sydney, que tem uma das maiores comunidades gays do mundo. Adam Graycar, diretor do instituto, disse que a vítima-padrão tem entre 30 e 40 anos e foi morta num lugar público por uma gangue juvenil. "Em alguns casos são jovens agressivos, que beberam um pouco e saem à caça, pelo esporte de encontrar alguém para bater", afirmou Graycar. Segundo o estudo, em cerca de metade dos casos as gangues juvenis iam a pontos de encontro de homossexuais ou atraíam as vítimas para uma emboscada. Para o criminalista, o homicídio de homossexuais e seus motivos costumam ser pouco estudados, porque a orientação sexual das vítimas raramente aparece nos inquéritos policiais. Graycar afirma que 25% dos assassinatos de gays ficam sem solução. Os casos mais difíceis são aqueles em que os criminosos são estranhos sem contato prévio com as vítimas. Também é frequente a alegação dos homicidas de que agiram em legítima defesa contra um assédio sexual descontrolado. "Se todas as mulheres lidassem dessa maneira com investidas sexuais indesejadas, haveria cadáveres espalhados pelas ruas", afirmou. Sydney, a maior cidade da Austrália, é conhecida por ter a principal comunidade de gays e lésbicas depois de San Francisco (EUA). Seu Carnaval é popular entre homossexuais e heterossexuais, e a homofobia é menor do que no resto da Austrália. A entidade Significant Others, que estuda os hábitos de consumo de gays e lésbicas, estima que 6% dos australianos com mais de 17 anos são homossexuais. Isso representa um contingente de mais de 800 mil pessoas. |