El País - Miércoles, 28 de agosto de 2002

Un tribunal islámico condena a morir lapidado
a un violador en Nigeria

EMILIO DE BENITO. Madrid.

Un tribunal islámico del Estado de Jigawa, al norte de Nigeria, ha condenado a morir lapidado a Mallam Ado Baranda, un hombre de cincuenta años que violó en marzo pasado a una niña de nueve años.

Baranda ha confesado su culpa y ha rechazado apelar contra la sentencia. Un portavoz del Estado dijo ayer que era muy difícil que se librara del castigo.

Antes de la ejecución, el hombre recibirá cien latigazos y tendrá que pagar una indemnización de diez mil nairas (algo menos de noventa euros) a la niña.

Baranda es el segundo hombre condenado a muerte por lapidación en Nigeria desde que hace dos años doce Estados del norte del país empezaron a aplicar la sharía (ley islámica).

Yunusa Rafín fue sentenciado el pasado mes de julio en el Estado fronterizo de Bauchi por cometer adulterio. La mujer se libró del castigo aduciendo que había sido 'embrujada' por el hombre.

También otra mujer, Amina Lawal, ha sido condenada a morir lapidada, aunque sus abogados han recurrido y el presidente del país, Olusegun Obasanjo, ha declarado que ve con 'simpatía' su caso y que la sharía es inconstitucional, por lo que se espera que dicte el indulto.

Lawal tiene de plazo hasta 2004 porque la ejecución de la sentencia se ha retrasado hasta que acabe de amamantar a su bebé.

Folha de São Paulo, 28 - VIII - 2002

Estuprador é condenado
à morte por apedrejamento na Nigéria

da Reuters, em Lagos

Um tribunal religioso do norte da Nigéria condenou um homem à morte por apedrejamento após tê-lo considerado culpado de estuprar uma menina de nove anos. Autoridades locais disseram hoje que o réu não apelou da decisão.

Sarimu Mohammed, 50, casado e pai de dois filhos, foi condenado em maio por uma corte de menor instância na vila de Birnuwa, no Estado de Jigawa (noroeste da Nigéria), e confessou o crime em três sessões do julgamento.

"Ninguém encontrou falhas no veredicto, portanto ele certamente será executado", afirmou, por telefone, o diretor de imprensa do Estado de Jigawa, Usman Zakari Dutse.

"Não posso dizer exatamente quando ocorrerá a execução, mas este é um Estado governado segundo a sharía e o governador disse que ninguém violará as leis e sairá impune", afirmou Dutse.

A Nigéria tem recebido duras críticas da comunidade internacional desde o início do mês, depois que uma alta corte na cidade de Funtua, no estado de Katsina (norte do país), confirmou a condenação à morte de uma mulher acusada de adultério.

Os advogados de Amina Lawal, cuja execução foi adiada por dois anos para que ela possa amamentar sua filha, afirmaram que recorrerão contra a sentença, considerada por grupos de Direitos Humanos como cruel e bárbara.

Mohammed não usou o período de 30 dias em que ele poderia apelar contra o veredicto. O tribunal também condenou Mohammed a pagar uma indenização de US$ 85 para a vítima e a receber cem chicotadas pelo estupro.

Ele será a segunda pessoa a ser executada desde que vários Estados do norte do país, região predominantemente muçulmana, adotaram a rígida lei islâmica, chamada charia, em 2000.

Em janeiro, Sani Rodi foi enforcado no Estado de Katsina (noroeste do país) por assassinato múltiplo, na primeira execução baseada na charia (lei islâmica). Mohammed é o primeiro a ser condenado à morte por estupro.

A adoção da charia polarizou o país, o mais populoso da África, cuja população de mais de 120 milhões de pessoas está igualmente dividida entre cristãos e muçulmanos.

Mais de 3.000 pessoas já morreram em conflitos religiosos nos últimos dois anos no país africano, tradicionalmente secular.