Folha de São Paulo, 31 - VIII - 2002
Médico britânico é considerado culpado
por tráfico de órgãos
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da Reuters, em Londres Um médico britânico foi considerado culpado por tráfico de órgãos humanos hoje, em um caso que abre um precedente no comércio ilegal de transplantes de rins procedentes de países pobres em pacientes de nações ricas. O médico Bhagat Makkar, nascido na Índia, negou as acusações ao Conselho Médico Geral do Reino Unido (GMC), mas agora enfrenta uma possível acusação criminal e cassação do registro médico. "O médico foi considerado culpado por diversas acusações, mas essa é apenas a primeira parte da decisão", afirmou uma porta-voz do GMC. "O comitê vai considerar agora a evidência e vai avaliar as acusações contra o médico para decidir se ele agiu com grave delito profissional. É possível que ele tenha o registro médico cassado." Makkar, 62, foi suspenso do registro médico em dezembro, após um jornalista fingir ser o filho de um homem que precisava de um rim e filmar a conversa. Nas fitas, o médico disse que poderia encontrar facilmente um doador de uma das cidades pobres do sul da Índia ou um doador asiático em Londres. Milhares de pacientes estão na lista de espera de transplantes no Reino Unido. A venda de órgãos foi proibida no país em 1989, após um homem turco ser preso em Istambul por negociar transplantes em um hospital privado de Londres. O advogado do médico, Charles Foster, disse à comissão do GMC que o cliente não merecia ter o registro médico cassado. "Essa foi uma conversa informal, em vez de delito profissional grave. Esse foi um incidente isolado de estupidez, falta de profissionalismo e irresponsabilidade", afirmou Foster. "Não há sugestão de que o público precisa ser protegido contra ele." Diversos médicos foram acusados de tráfico de órgãos na década de 80, e outro médico está enfrentando acusações similares de que teria oferecido rins para venda de doadores vivos da Índia. Mais de 5.500 britânicos estão na lista de espera de órgãos, a maioria precisando de um rim, de acordo com o Governo. |