Folha de São Paulo, 3 - IX - 2002

China pode ter bloqueado
acesso a site de busca dos EUA

da Reuters, em Pequim, com agências internacionais

A China parece ter bloqueado o acesso ao portal de busca Google, alimentando especulações sobre uma operação para barrar, às vésperas do congresso do Partido Comunista em novembro, sites da internet considerados subversivos.

O Google, com sede nos EUA e que se tornou popular entre os chineses devido à sua simplicidade e sua capacidade de passar por instrumentos de busca em chinês, estava inacessível via servidores do país asiático no sábado (31) de manhã, disseram usuários.

"Ele foi expulso de Pequim", disse um membro da indústria do setor, que segue os regulamentos do país para a internet e que usou seu computador para confirmar o bloqueio.

O Governo tenta abertamente controlar o conteúdo dos sites acessados na China, onde a internet ameaça o controle exercido pelo Partido Comunista sobre os meios de comunicação.

Vários sites estrangeiros foram bloqueados e frequentemente sites nacionais são obrigados a apagar trechos considerados inadequados.

Um artigo colocado no portal NetEase.com afirmou que o Google havia sido bloqueado porque as buscas poderiam levar a sites de pornografia, a conteúdos relacionados com o movimento espiritual proibido Fa Lun Gong e a informações consideradas prejudiciais à segurança nacional.

A China decretou a ilegalidade da Fa Lun Gong, chamada de "culto do mal" pelas autoridades, em julho de 1999 -ela permanece legal em Hong Kong.

O grupo afirma que possui setenta milhões de seguidores na China e que cerca de cinquenta mil foram presos -muitos teriam sido mandados para campos de trabalhos forçados. O movimento, que mistura taoísmo, budismo e práticas chinesas tradicionais, pretende ser reconhecido como religião no país.

Os censores dos meios de comunicação da China tendem a endurecer em épocas politicamente sensíveis, disseram analistas. E o bloqueio ao Google pode ser uma tentativa de limpeza às vésperas do congresso do Partido Comunista, que promete anunciar mudanças na liderança do país.

Na semana passada, o presidente chinês, Jiang Zemin, reuniu-se com chefes da área de propaganda do partido e disse-lhes ser importante a criação de uma "atmosfera boa" antes do início do congresso, em 8 de novembro.

Segundo analistas, foi a primeira vez que o Governo bloqueou o acesso a um instrumento de busca.