Diário de Notícias - Quarta Feira 11 de Setembro de 2002
SIDA: um milhão de chineses infectados
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A SIDA já infectou um milhão de chineses. Este número foi confirmado na semana passada pelo Governo de Pequim que lançou um ultimato aos fabricantes de medicamentos anti-SIDA do Ocidente, ameaçando produzir os fármacos no país, se os preços não baixarem consideravelmente. Ainda que a China - enquanto membro recente da Organização Mundial do Comércio - deseje respeitar os acordos farmacêuticos estrangeiros, o prazo das autoridades para encontrar uma solução para o problema é de apenas um mês. De contrário, advertiu o director do departamento de controlo das doenças do Ministério da Saúde, Qi Xiaoqiu "teremos de optar pela outra solução", ou seja, produzir os medicamentos no país. "Não podemos esperar mais tempo", acrecentou. Xiaoqiu confirmou que o número de seropositivos e de doentes com SIDA já atingiu um milhão de pessoas. E deu a entender que este número alarmante pode subir no fim do decénio, se não forem tomadas medidas para travar a epidemia. "Corremos o risco de ter dez ou mais milhões de portadores do vírus da SIDA" daqui a dez anos, adiantou Xiauqiu, confirmando as projecções alarmantes da ONU. "É muito difícil ter conhecimento dos números exactos, mas a SIDA já atingiu um patamar assustador na China", admitiu o alto responsável do Ministério da Saúde, apontando o dedo às autoridades locais que, reticentes em admitir o perigo, impedem os médicos e os doentes de falar abertamente sobre o problema, passar a informação e trocar experiências. Esta atitude dificulta muito o trabalho de reconhecimento dos números. Um tratamento composto por AZT e dois outros medicamentos custa actualmente entre 240 e 360 euros por mês. Este valor é incomportável para a maioria dos doentes, facto que não ajuda a travar a doença. O Governo chinês está agora a tentar persuadir empresas locais que vendem medicamentos contra a SIDA, a baixar os preços em cerca de oitenta por cento. No mês passado, um porta-voz do grupo chinês Northeast Pharmaceutical declarou que as suas empresas receberam a autorização do Estado para vender no mercado chinês AZT produzido no país. A ONUSIDA, Organização das Nações Unidas especializada na luta contra esta doença, criticou o sistema de vigilância posto em prática pelas autoridades chinesas, que não permitia ter conhecimento de números fiáveis sobre a contaminação. Foi também denunciada a grande falta de sensibilização da população relativamente à doença. Só no ano passado a China começou timidamente a reconhecer a amplitude do problema, ao admitir que pelo menos cem mil camponeses foram contaminados pelo vírus HIV, depois de terem vendido o seu sangue a bancos de sangue ilegais na província de Henan. Apesar de tudo, a sida ainda continua a ser um tabu na República Popular China, de tal forma, que o Governo tende a controlar os movimentos de lutas contra a doença. |