Folha de São Paulo, 13 - IX - 2002

Exército israelense
destrói casas na faixa de Gaza

da Reuters, em Gaza

Forças israelenses destruíram oito casas de palestinos em um ataque na faixa de Gaza na madrugada de hoje, disseram testemunhas. Entre as casas destruídas estava a da família de um militante morto.

Houve troca de tiros entre soldados israelenses e atiradores palestinos quando tanques e tratores entraram no bairro de Shijaia, ao leste da cidade de Gaza. Um palestino ficou gravemente ferido, segundo autoridades palestinas.

A demolição de casas se tornou uma medida israelense para conter a Intifada palestina, que já dura dois anos, pela independência da Cisjordânia e da faixa de Gaza. Os israelenses esperam deter os militantes palestinos, que também usam ataques suicidas.

Segundo testemunhas e autoridades de segurança palestinas, três casas foram destruídas em Shijaia, duas no campo de refugiados de Maghazi, na parte central da faixa de Gaza, e outras três no campo de Rafah, perto da fronteira com o Egito.

As casas de Maghazi pertenciam à família Shehada, que teve sete membros presos em um ataque israelense na terça-feira.

Uma das casas destruídas em Shijaia pertencia à família de Osama Helles, morto pelos israelenses ao participar de uma emboscada contra um assentamento judeu em Gaza em novembro. Na ocasião, ele matou uma mulher israelense e feriu outras três pessoas.

O Exército israelense disse que a destruição da casa de Helles era parte de "medidas antiterrorismo". Duas casas próximas foram atingidas pela explosão, que ainda danificou outros prédios na vizinhança.

O Exército negou a demolição intencional de casas em Rafah, mas disse que veículos pesados que procuravam túneis usados para armazenar armas podem ter danificado algumas "estruturas", sugerindo que as casas foram derrubadas por acidente.

A mãe de Helles, Khawla, disse que os soldados deram dez minutos para que a família deixasse a casa. "Tudo o que pudemos levar foram alguns documentos importantes da família", disse. "A casa onde vivemos por 30 anos foi transformada em ruínas. Eu perdi um filho e agora perdemos nossa casa."

Seu marido, Mohammed, disse que os soldados entraram perguntando por Osama Helles, e ele declarou que o filho estava morto.

"Eles responderam perguntando: 'Ele está morto ou é um mártir?'", acrescentou, usando um termo com o qual os palestinos chamam os militantes mortos em combate.

Salman Helles, 11, irmão de Osama, disse que apanhou sua mochila e livros antes que a casa fosse demolida, mas não teve tempo de pegar mais nada. "Tudo se foi", afirmou.