Diário de Notícias - Terça Feira 17 de Setembro de 2002

Rebeldes matam 11 civis na Chechénia

Enquanto agentes secretos russos e americanos participavam, ao lado das forças georgianas, na operação antiterrorista contra os rebeldes chechenos nos desfiladeiros de Pankisi, na Geórgia, onze civis chechenos, entre os quais duas crianças, morriam e 28 ficavam feridos no rebentamento de uma bomba em Grozny, capital da Chechénia.

O engenho explosivo colocado pelos rebeldes na tampa de um esgoto de uma das artérias da capital chechena falhou por segundos o seu alvo, dois veículos militares russos, e acabou por atingir um autocarro de transporte público. Os veículos militares sofreram apenas danos ligeiros.

Na capital georgiana, Tbilissi, o Presidente Eduard Chevarnadze declarou ontem à imprensa que "nos desfiladeiros de Pankisi estão representantes dos serviços especiais russos (FSB, o ex-KGB)", além de "representantes americanos que cooperam connosco".

Chevarnadze não especificou a que força pertencem, mas uma fonte do Ministério da Segurança georgiano disse à AFP que se trata de membros da CIA.

Desde o princípio do Verão que 110 militares americanos se encontram na Geórgia para formar o exército desta antiga república soviética do Cáucaso na luta antiterrorista.

No passado dia 6, o ministro do Interior russo, Boris Gryzlov, tinha, pelo seu lado, anunciado que Moscovo e Tbilissi haviam chegado a um acordo de cooperação "para localizar terroristas internacionais.

A operação militar nos desfiladeiros de Pankisi foi lançada a 25 de Agosto, por pressão da Rússia. Aquela zona de difícil acesso é usada pelos rebeldes chechenos e há muito que o Governo russo pedia ao seu homólogo georgiano uma acção que pusesse fim ao santuário. Mas só as ameaças de intervenção militar russa fizeram mexer Tbilissi.

Folha de São Paulo, 17 - IX - 2002

Sobe para 11 número de mortos
em explosão na Tchetchênia

da Reuters, em Moscou (Rússia)

Uma bomba explodiu perto de um ponto de ônibus lotado na capital da separatista Tchetchênia hoje, matando onze pessoas -a maioria crianças e mulheres- e ferindo muitas outras, informou a televisão russa.

Ataques contra forças russas são comuns na Tchetchênia, mas atentados contra civis são raros. O Canal 1 da televisão russa citou o promotor da Tchetchênia dizendo que a explosão aparentemente visava veículos de polícia russos, mas a bomba teria sido detonada tarde demais.

Um correspondente no local -uma feia e superpovoada rua perto do principal mercado de Grozny- disse que sete pessoas, incluindo duas mulheres e duas crianças, morreram na hora.

Quatro outros morreram no hospital. A televisão disse que 29 pessoas foram tratadas com ferimentos, na maior parte graves.

A maioria das vítimas estava em um ônibus de passageiros que se aproximava do ponto quando a explosão aconteceu. A televisão mostrou manchas de sangue no pavimento.

A bomba provisória estava escondida em uma lata de lixo antes de ser detonada por controle remoto, disseram agências de notícias.

Embora os separatistas tchetchenos não tenham registro de atacar civis, o exército russo rapidamente atribuiu a culpa aos rebeldes, que estariam tentando intimidar a população.

A Rússia vem lutando contra rebeldes tchetchenos há oito anos.