El País - Miércoles, 18 de septiembre de 2002
Hombres de uniforme
matan a 183 civiles en Burundi
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AFP. Bujumbura. Un total de ciento ochenta y tres personas, la mayoría de ellas civiles, fueron asesinadas a sangre fría por un grupo de hombres no identificado el pasado 9 de septiembre en Burundi. "Esas personas, que se refugiaban en las colinas, huyendo de los enfrentamientos han sido asesinadas fríamente por hombres que vestían uniformes militares", aseguró el presidente de la Comisión de Derechos Humanos del Parlamento ruandés, Léonidas Ntibayazi. La matanza tuvo lugar en la provincia de Gitega, en el centro del país. El gobernador de Gitega, Tharcisse Ntibarirarana, corroboró la tragedia. "La matanza de 183 personas está confirmada por las autoridades locales, quienes atribuyen los asesinatos al Ejército", aseguró Ntibarirarana. Fuentes militares negaron sin embargo su participación en la masacre. "El Ejército no tiene ninguna responsabilidad en esta matanza de civiles", declaró el coronel, Augustin Nzabampema, portavoz del Ejército. "Nosotros estamos llevando a cabo nuestras propias investigaciones", añadió el coronel. Por su parte, Ntibayazi, quien también preside el Frente para la Democracia, el principal partido hutu del país, aseguró que se trata de "un crimen de guerra" y pidió al Gobierno la puesta en marcha de una comisión de investigación para esclarecer los hechos. "Tanto el Ejército como los rebeldes visten uniformes militares. Sería precipitado acusar a un grupo determinado por el momento", indicó el presidente de la Comisión de Derechos Humanos del Parlamento ruandés. |
Folha de São Paulo, 18 - IX - 2002
Homens com uniformes militares
matam 183 pessoas em Burundi
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da France Presse, em Bujumbura Um total de 183 pessoas, em sua maioria civis, foram mortas por homens não-identificados no dia 9, no centro de Burundi, informou hoje o presidente da comissão de Direitos Humanos na Assembléia Nacional burindinesa. "Estas pessoas, refugiadas nas montanhas, fugindo dos confrontos, foram mortas a sangue frio por homens vestidos com uniformes militares", confirmou Leônidas Ntibayazi, presidente do grupo parlamentar da Frente para a Democracia de Burundi (FRODEBU), principal partido hutu (etnia) do país. "Tanto faz se o Exército ou a guerrilha foi responsável pelo massacre, todos usam uniformes militares e pedimos uma investigação oficial porque é cedo para acusar uma ou outra parte", prosseguiu Ntibayazi. Segundo ele, dos 183 mortos, 112 foram formalmente identificadas como civis. A matança aconteceu no vilarejo de Itaba, a 130 km a leste da capital Bujumbura, na província de Gitega (centro de Burundi). "O massacre de 183 pessoas foi confirmado por responsáveis da Defesa Civil e a população se encarregou o enterro. As pessoas atribuem a matança ao Exército", dominado pela minoria tutsi, disse o governador de Gitega, Tharcisse Ntibarirarana. No entanto, o coronel Augustin Nzabampema, porta-voz das forças militares, disse que o Exército não tem nenhuma responsabilidade nesse massacre contra civis. A notícia da matança chega justamente antes do reinício, de um novo ciclo de negociações entre o Governo de Bujumburu e o principal movimento rebelde hutu. O encontro deverá ocorrer na quinta-feira (19), na Tanzânia. |