Folha de São Paulo, 20 - IX - 2002
China é o país
que mais prende jornalistas no mundo, diz entidade
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da Reuters, em Hong Kong O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), entidade com sede nos Estados Unidos, acusou hoje a China de ser o país que mais prende jornalistas e pediu ao Governo a libertação de 36 profissionais. Segundo o CPJ, 118 jornalistas estavam presos em todo o mundo no final de 2001, quase um quarto deles na China. Nove dos repórteres detidos no país nos últimos dois anos foram acusados de subversão e crimes relacionados à difusão de textos pela internet, disse Sophie Beach, do CPJ, numa entrevista coletiva em Hong Kong. "Estes casos demonstram como o governo chinês rotineiramente explora as leis relacionadas à segurança nacional para silenciar qualquer voz crítica", afirmou Beach, acrescentando que a maioria dos 36 jornalistas presos foi condenada em julgamentos secretos. Muitos da lista também foram presos sob acusação de "vazar segredos de Estado", um crime que pode abranger qualquer reportagem política não autorizada, segundo a entidade. A campanha do CPJ acontece poucas semanas depois da desaparecimento do proeminente ativista Wan Yanhai, que havia publicado na internet um relatório sobre a epidemia de AIDS provocada na Província de Henan devido a problemas com transfusões de sangue. Entidades de direitos humanos dizem que Wan foi preso por causa disso. A polícia não deu informações a seus colegas nem a sua mulher, que vive nos Estados Unidos. O CPJ também expressou preocupação com a iminente decisão do Governo autônomo de Hong Kong de colocar em vigor uma temida lei anti-subversão. O Governo comunista de Pequim teme que esse território, que até 1997 foi colônia britânica, seja usado como base por grupos de oposição. Por isso, nos últimos meses, as autoridades vêm pressionando a cidade a cumprir a Constituição local e a adotar medidas para punir quem conspirar contra a China. Círculos democráticos de Hong Kong, porém, acham que a lei pode ser usada não só contra casos de separatismo ou traição, mas também contra qualquer grupo político ou religioso que seja considerado inconveniente pelas autoridades locais ou nacionais. |