Diário de Notícias - Quinta Feira 26 de Setembro de 2002

Colonos avançam em Nablus

LUMENA RAPOSO

Um novo colonato foi, ontem, inaugurado a uma dezena de quilómetros da cidade de Nablus (Norte da Cisjordânia), ao mesmo tempo que Ramallah vivia, pela primeira vez e desde há uma semana, algumas horas sem recolher obrigatório.

Em Amã, o chefe da diplomacia jordana, Marwan Moasher, afirmava que os EUA irão redobrar os seus esforços para que seja levantado o cerco a Yasser Arafat.

Guidon Ezra, vice-ministro da Segurança Interna israelita, visitou o colonato de Rehalim para felicitar os seus habitantes "pela sua determinação no combate pela integridade da terra de Israel", disse Naty Israeli, porta-voz do colonato onde 14 casas substituíram as caravanas iniciais.

Em comunicado, o Ministério da Defesa, chefiado por Binyamin Ben-Eliezer (trabalhista), afirmou que Rehalim não era "um colonato" e que as autoridades israelitas não "tencionam reconhecê-lo como tal". Israeli avançou, porém, que a construção das casas foi financiada pelo Ministério da Habitação.

Saeb Erakat, ministro das Colectividades palestiniano, considerou a construção do referido colonato como "uma renúncia do Governo israelita em escolher a paz, preferindo a opção da guerra e da colonização".

Horas antes, Erakat afirmara à imprensa terem sido adiadas as negociações previstas com Israel sobre o cerco a Arafat porque o Governo de Ariel Sharon proibiu todos os contactos entre diplomatas ocidentais - em especial os representantes do Quarteto (EUA, UE, Rússia e ONU) - e o dirigente palestiniano.

No entanto, o chefe da diplomacia jordana, que se encontrou com o seu homólogo americano, Colin Powell, afirmou que os EUA "vão desenvolver sérios esforços nos próximos dias para levantar o cerco a Arafat".

Entretanto, numerosos habitantes de Ramallah viveram ontem as suas primeiras oito horas sem recolher obrigatório desde há uma semana.

Causticados pela intifada, pelo longo cerco israelita e aproveitando as poucas horas de liberdade, os palestinianos dividiam-se sobre a importância e o destino de Arafat. Para uns, impõe-se a partida de Arafat, uma vez que "já não existe liderança palestiniana" e que a popularidade do seu presidente está "em queda livre"; para outros, está fora de questão a rendição do líder.

E há ainda os que colocam as suas esperanças nas eventuais eleições de Janeiro próximo, na criação de um novo Governo onde exista o cargo de um primeiro-ministro. Para estes, Arafat "pode ficar, mas apenas como um símbolo".