Diário de Notícias - Sábado 28 de Setembro de 2002

Caxias: romeno em situação "vergonhosa"

A Ordem dos Advogados (OA) acha "vergonhosa" a situação do detido romeno Marian Gabrieanu, internado no Hospital prisional São João de Deus, em Caxias, que esteve em greve de fome 40 dias, como protesto ao pedido de extradição autorizado pelos tribunais portugueses.

Após ter visitado ontem o romeno, António Marinho e Pinho, da Comissão dos Direitos Humanos da OA, manifestou "indignação", pela prisão preventiva, há 21 meses, deste imigrante, o que simboliza "a nossa cultura judiciária". A OA quer que o romeno aguarde em liberdade a extradição.

Segundo informações prestadas pela OA, o médico romeno Marian Gabrieanu tem um historial "arrepiante". Com um braço paralisado e sem um pulmão, fruto de ocorrências na Roménia, perdeu 26 quilos após a greve de fome, suspensa no passado dia 22, por motivos de saúde.

O romeno estava em Portugal com a mulher, ilegalmente, tendo sido julgados e absolvidos por um tribunal de Portimão. A mulher chegou a dar à luz num estabelecimento prisional português.

Mas como Marian Gabrieanu foi julgado na Roménia, por crime de extorsão e tentativa de furto, isso levou o Tribunal da Relação de Évora, para onde transitou o processo, a mantê-lo detido, e a aceitar o pedido de extradição.

"O julgamento na Roménia foi à revelia e sem defensor, o que viola a Convenção Europeia dos Direitos do Homem", adiantou o advogado de defesa do romeno, que não se identificou. Mostra-se convicto que o médico "em termos processuais está preso ilegalmente".

Marian Gabrieanu recorreu da decisão da extradição para o Supremo Tribunal de Justiça.