Diário de Notícias - Segunda Feira 30 de Setembro de 2002

Poliomielite pode estar erradicada em 2003

Dentro de seis meses a um ano a poliomielite, uma doença infecciosa que ataca as crianças, pode estar erradicada do planeta, de acordo com estimativas do Rotary International, que se tem dedicado à vacinação preventiva desta doença.

Esta tese foi defendida, em declarações à Agência Lusa, por um dos administradores desta entidade, o médico português Henrique Pinto, que adiantou esse período como previsão para a erradicação da enfermidade.

A poliomielite é uma doença infecciosa que ataca as células da medula espinal e leva, muitas vezes, à cegueira e à paralisia, daí ser também conhecida por paralisia infantil.

Nigéria, Índia e Paquistão são os três países no mundo que ainda têm a doença e Angola, embora já esteja livre da mesma, é considerada um caso que necessita de muita vigilância e acompanhamento.

Segundo Henrique Pinto são ainda necessários 100 milhões de euros (cerca de vinte milhões de contos) para eliminar e acompanhar a doença na região africana.

A mais recente operação em Angola ocorreu em Julho, tendo trinta mil voluntários angolanos vacinado no seu país cerca de 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos, numa campanha liderada pelo médico português.

"Julga-se que foi quebrada a cadeia de transmissão do vírus (da poliomielite). Mas Angola é um país que ainda está sobre observação", explicou Henrique Pinto.

Os conflitos armados, as condições extremas de pobreza, a inexistência de infra-estruturas, a vigilância inadequada da doença e financiamento insuficiente constituem o conjunto de questões que têm vindo a dificultar a "luta" pela erradicação da poliomielite.

O responsável alerta também para os entraves que as questões religiosas podem trazer: "Na religião hindu é difícil aceitar-se que outras pessoas vacinem as suas crianças", exemplificou.

Só este ano, o Rotary International já custeou a vacinação de oitenta milhões de crianças em todo o mundo. Por isso, Henrique Pinto destaca os "importantes contributos" de personalidades a nível internacional, como o caso do tenor italiano Luciano Pavarotti, e de "cidadãos anónimos que querem ajudar a erradicar a doença".

A Organização Mundial de Saúde e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) têm também apoiado as campanhas do Rotary International, que tiveram início em 1988, quando ainda só "cinco ou seis países não tinham a doença", sendo um deles Portugal.

O Rotary International é constituído por mais de 40 mil clubes rotários em todo o mundo.