Folha de São Paulo, 11 - X - 2002

Atentado mata 8 e fere 19 nas Filipinas

da Folha Online, com agências internacionais

Oito pessoas morreram e outras dezanove ficaram gravemente feridas hoje em um atentado com granada contra um ônibus em Kidapawan, no sul das Filipinas, disse uma fonte policial.

A polícia suspeita que rebeldes do grupo comunista Novo Exército do Povo (NPA) estejam envolvidos no ataque, o segundo no sul das Filipinas em uma semana, afirmou um responsável local da polícia.

A granada foi lançada contra um grupo de pessoas que esperavam uma correspondência na parada de ônibus, declarou o porta-voz do Exército, comandante Johnny Macanas.

Uma mulher e uma criança foram mortas no local e as outras vítimas morreram em um hospital, informou o superintendente da polícia de Kidapawan, Casimiro Medez.

Uma rádio local disse que os explosivos teriam sido plantados na área de espera do terminal e entre as vítimas estariam um menino de seis anos de idade e vendedores de rua. Ao menos dois ônibus ficaram danificados.

Segundo Julieto Ando, porta-voz do Exército, os militares e a polícia investigavam o atentado e, entre os suspeitos, estavam os rebeldes muçulmanos que atuam na região.

"Estamos avaliando a eventual participação do NPA e do MILF (Frente de Libertação Islâmica Moro). Mas não descartamos a possibilidade de outros grupos terroristas terem participado do atentado", declarou.

Autoridades disseram que o NPA, um grupo comunista que há três décadas luta pela criação de um Estado marxista, atuaria na área de Kidapawan.

O MILF é o maior grupo rebelde que defende a criação de uma nação muçulmana no sul das Filipinas, um país de maioria católica. O grupo e o Governo filipino realizam neste momento negociações de paz sob o patrocínio da Malásia.

Na semana passada, um soldado americano e outro filipino morreram após a explosão de uma bomba caseira perto de um acampamento militar no sul das Filipinas. Outras 22 pessoas ficaram feridas.

As autoridades do país responsabilizaram a guerrilha muçulmana Abu Sayyaf pelo atentado.

A explosão ocorreu no meio da noite em frente a um bar em Zamboanga, a cerca de três quilômetros da principal base militar no sul do país.

Esse foi o segundo incidente envolvendo mortos americanos desde o envio de forças especiais do Exército dos EUA às Filipinas, no início do ano, para treinar as forças filipinas que combatem a guerrilha radical islâmica Abu Sayyaf, supostamente ligada à rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden.

Os EUA mantêm atualmente cerca de 270 soldados nas Filipinas.