Folha de São Paulo, 17 - X - 2002
ONG acusa Israel de atirar sem justificativa
e matar 15 palestinos
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da Reuters, em Jerusalém Um grupo de Direitos Humanos israelense acusou hoje exército de Israel de atirar sem justificativas para garantir o toque de recolher na Cisjordânia, e disse que os soldados tinham matado quinze palestinos, sendo doze menores de dezasseis anos. O Exército, que vem tentando conter o levante palestino que já dura dois anos, negou as acusações e disse que os soldados têm ordens de abrir fogo apenas quando correm perigo de vida. A organização de Direitos Humanos "B'Tselem" disse que os toques de recolher, impostos nas cidades da Cisjordânia depois dos atentados suicidas palestinos, tinham prejudicado a educação e os sistemas de saúde locais e abalado a economia. A maior crítica no relatório de 35 páginas intitulado "Toque de Recolher Letal" foi em relação aos incidentes em que, segundo o grupo, os soldados -mesmo sem correr risco de vida- haviam atirado em pessoas que violaram o toque de recolher. "Às vezes os soldados atiram sem avisar. Quinze crianças, algumas menores de 16 anos, foram mortas por soldados e outras dezenas ficaram feridas", disse o grupo. "Nenhuma das pessoas assassinadas estava colocando em risco a vida dos soldados. A violação do toque de recolher não é, em si, um pretexto justificável para abrir fogo, e atirar nestas circunstâncias equivale ao uso excessivo da força". Descaso O relatório afirma que a atitude mostra "um descaso vergonhoso com a vida dos palestinos e constitui uma violação flagrante das leis internacionais". O "B'Tselem" pediu que Israel pare de usar os toques de recolher como "uma política permanente", pare de usar gás lacrimogêneo e armas para garantir os toques de recolher e estabeleça procedimentos claros para instituir e suspender os toques de recolher e para garantir que a população seja informada. O exército alegou que os toques de recolher e os bloqueios são necessários para evitar futuros ataques contra israelenses. "A declaração de que os soldados têm a permissão de atirar em qualquer pessoa que esteja fora de casa durante o toque de recolher não tem fundamentos", disse o exército em resposta ao relatório. Os recentes toques de recolher têm mantido em casa os residentes de algumas cidades da Cisjordânia pela maior parte do dia nos últimos quatro meses. São os mais extensos desde que Israel capturou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, na guerra de 1967. |