Folha de São Paulo, 2 - XI - 2002

Anistia pede para EUA libertarem
todos os presos de Guantánamo

da Reuters, em Miami

A Anistia Internacional, grupo de Direitos Humanos sediado em Londres, pediu que os Estados Unidos libertem o restante dos prisioneiros detidos na base naval norte-americana em Guantánamo (Cuba), ou que os julguem com base nas leis internacionais sobre as acusações criminais.

"É o momento de acabar com a inaceitável prisão onde eles são mantidos, em uma condição na qual eles têm negadas a situação de 'prisioneiros de guerra', ao mesmo tempo que não é permitido a eles gozar dos direitos reconhecidos para suspeitos de crimes sob a lei norte-americana", declarou o grupo.

Os Estados Unidos enviaram de volta ao Afeganistão e Paquistão quatro prisioneiros na segunda-feira, afirmando que eles não poderiam fornecer informações úteis sobre inteligência.

Eles foram os primeiros a serem libertados desde que os Estados Unidos começaram a mandar suspeitos da Al Qaeda e do Taleban para Guantánamo, em janeiro, com exceção de um prisioneiro deficiente mental, que foi repatriado pelo Afeganistão em abril.

"Todos os outros prisioneiros devem ser libertados sem demora, a menos que sejam julgados de acordo com os padrões internacionais de Direitos Humanos", disse a Anistia.

Cerca de trinta prisioneiros foram enviados para Guantánamo esta semana, elevando para 625 a população carcerária, disseram autoridades norte-americanas. A maioria deles foi presa no Afeganistão durante uma ação comandada pelo Exército norte-americano.

Os Estados Unidos culpam os suspeitos de pertencer à rede Al Qaeda pelos ataques do 11 de setembro.