Diário de Notícias - Terça Feira 5 de Novembro de 2002

35 países querem acabar
com os "diamantes de sangue"

Representantes dos países implicados na produção ou no comércio de diamantes e dos industriais do sector iniciaram ontem una reunião em Interlaken, Suíça, para tentar impedir a comercialização dos chamados "diamantes de sangue" - as pedras preciosas provenientes das zonas de conflito.

A reunião realiza-se no quadro do "processo de Kimberley", lançado em 2000 na África do Sul, com o objectivo de pôr fim a esses "diamantes de sangue", que serviram para financiar conflitos, nomeadamente em Angola, Serra Leoa e República Democrática do Congo.

O processo, apoiado pelas Nações Unidas, reúne 35 países e visa pôr de pé um sistema internacional eficaz de certificação dos diamantes brutos, o qual possa entrar em vigor em Janeiro próximo.

O certificado deve ser vigiado pelas autoridades de cada país importador e exportador e os diamantes brutos, geralmente exportados às centenas, deverão ser transportados numa embalagem selada.

A percentagem dos diamantes de guerra no comércio mundial de diamantes brutos passou de quatro a dois por cento, depois do fim dos conflitos em Angola e na Serra Leoa.

Mas o problema continua preocupante noutras regiões de África, nomeadamente na República Democrática do Congo (Kinshasa).

Kinshasa estima que a exportação fraudulenta de diamantes extraídos do seu solo lhe faz perder, por ano, cerca de oitocentos milhões de dólares.

A reunião, que hoje começa em Interlaken, deve ter a presença de cerca de quatro dezenas de ministros dos 35 países envolvidos (dos quais catorze da África Austral), para além de representantes da União Europeia e da Suíça.

Folha de São Paulo, 5 - XI - 2002

Países firmam compromisso
contra tráfico de diamantes

da France Presse, em Interlaken (Suíça)

Representantes de 52 países que produzem diamantes ou comercializam essas pedras comprometeram-se hoje em Interlaken (Suíça) a aplicar um sistema de controle dos diamantes procedentes das zonas de guerra.

Quarenta e seis países porão em marcha o sistema a partir de 1 de janeiro de 2003.

Outros seis (Chipre, República Tcheca, Japão, Malta, Tailândia e Ucrânia) comprometeram-se a fazê-lo antes do final do próximo ano.

"Temos o prazer de lhes anunciar que adotamos o sistema de certificação previsto pelo processo de Kimberley, que exigiu dois anos de trabalho", declarou à imprensa a ministra sul-africana de Energia, Phumzile Mlambo Ngeuka, ao final de dois dias de reunião.

Esse dispositivo pretende pôr fim ao tráfico que serviu para financiar conflitos em Angola, Serra Leoa, Libéria e República Democrática do Congo (RDC).

O setor aduaneiro poderá identificar com clareza a origem das pedras graças a um certificado que acompanhará todo o pacote de diamantes exportados. O certificado terá que ser convalidado por cada país importador e exportador e os diamantes serão transportados em embalagem selada.

Essa reunião foi realizada como parte do "processo de Kimberley", lançado em 2000 na África do Sul e apoiado pela ONU.

Participam dele União Européia, Suíça, os Estados membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Malaui, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Swazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Mauricio e Seychelles) e o Conselho Mundial do Diamante.