Folha de São Paulo, 5 - XI - 2002
Sérvios da Bósnia admitem
que contrabandearam armas a Mianmar
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da Reuters, em Banja Luka (Bósnia) A República Sérvia da Bósnia sofreu um novo constrangimento hoje ao admitir que estava negociando a venda de armas a Mianmar no mês passado, quando se descobriu um escândalo de contrabando de armas para o Iraque. "Houve tentativas de vender armas, mas após saber que Mianmar estava sob sanções unilaterais, não sob sanções da ONU (Organização das Nações Unidas), o acordo foi cancelado", disse o primeiro-ministro Mladen Ivanic. Mianmar (antiga Birmânia, no Sudeste Asiático) está sob sanções de vários países ocidentais, inclusive dos Estados Unidos e da União Européia, por causa dos abusos aos Direitos Humanos cometidos pela junta militar que governa o país. A Bósnia já está sob estrita vigilância internacional desde outubro, quando soldados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) descobriram evidências de que a empresa servo-bósnia Orao havia exportado peças de caças militares ao Iraque, por intermédio da Iugoslávia, violando o embargo da ONU. Entidades internacionais pediram às autoridades servo-bósnias que investiguem essa venda e outros acordos que estivessem sendo discutidos. Em resposta, a República Sérvia demitiu três funcionários responsáveis pela venda ao Iraque, e o Governo central da Bósnia proibiu todas as negociações de equipamentos bélicos. Mas já durante essa investigação uma delegação militar sérvia de alto nível viajou a Mianmar para discutir um acordo de cooperação que incluiria a venda de armas. Só durante a visita os militares sérvios teriam ficado sabendo do embargo unilateral. A delegação sérvia era chefiada pelo ministro da Defesa, Slobodan Bilic, e pelo chefe do Estado-Maior do Exército, Novica Simic. De volta a seu país, ambos apresentaram seu pedido de renúncia, por causa do escândalo do Iraque. Uma fonte ocidental na Bósnia, que pediu anonimato, disse que é difícil acreditar que a delegação que foi a Mianmar não sabia do embargo da União Européia (UE). O funcionário internacional encarregado de vigiar a paz na Bósnia, Paddy Ashdown, disse que se os políticos sérvios não tomarem providências ele vai usar seus poderes para intervir. |