Folha de São Paulo, 6 - XI - 2002
Ataque de guerrilha muçulmana
mata 4 e fere 13 na Caxemira
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da Folha Online, com agências internacionais Quatro civis foram mortos e treze ficaram feridos na Caxemira indiana em dois ataques atribuídos à guerrilha muçulmana na noite de ontem, afirmou a polícia de Jammu e da Caxemira. Um grupo de rebeldes muçulmanos teria atacado com uma arma automática e com uma granada um veículo que transportava o corpo de uma vítima de morte natural, perto da cidade de Lassana, no distrito de Poonch (sul). Quatro pessoas morreram e uma ficou ferida no ataque, que provocou pânico na região. Em outro incidente violento, pelo menos doze civis foram feridos, dois deles com gravidade, por uma granada jogada contra uma patrulha das forças de segurança e que errou o alvo, atingindo pedestres, em Rajouri (sul). A Caxemira, território himalaio dividido desde 1947 entre o Paquistão e a Índia, é alvo de uma disputa de forças do lado indiano com um levante muçulmano, duramente reprimido pelo governo desde 1989. O conflito já causou 38 mil mortes em treze anos, segundo as autoridades indianas, e setenta mil, de acordo com os separatistas muçulmanos. O Paquistão e a Índia mobilizaram cerca de um milhão de soldados ao longo de sua fronteira comum depois de dezembro do ano passado, quando separatistas contrários à existência da Caxemira indiana e supostamente vindos do território paquistanês atacaram o Parlamento indiano. O incidente deixou 14 mortos, entre eles os cinco terroristas. Nova Déli responsabilizou as guerrilhas islâmicas do Paquistão e preparou uma resistência militar na fronteira com o território paquistanês, pedindo a Islamabad que acabe com os militantes islâmicos. Em maio, supostos rebeldes muçulmanos contrários ao governo da Índia na Caxemira invadiram um campo militar e mataram mais de trinta pessoas, entre elas familiares de soldados. O Governo militar do Paquistão também disse que não permitiria que a sua parte da Caxemira fosse usada para atividades terroristas. Nova Déli condiciona a retirada da maioria de suas tropas ao cessar das infiltrações de combatentes islâmicos do Paquistão para a Caxemira indiana, e ao fim dos supostos campos de treinamento na Caxemira paquistanesa. Os dois países disputam o poder do território da Caxemira. Atualmente, dois terços do território estão sob domínio indiano (45%) e o restante sob controle do Paquistão e da China. Das três guerras travadas desde a independência (1947), duas delas foram por causa da Caxemira. |