Folha de São Paulo, 13 - XI - 2002
Timorenses pedem tribunal internacional
para julgar massacre
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da Folha Online, com agências internacionais Onze anos depois do massacre de Santa Cruz, estudantes e organizações não governamentais de Timor Leste pediram hoje um tribunal internacional para julgar responsáveis civis e militares indonésios por abusos cometidos em no país durante o período da ocupação. Muitos jovens juntaram-se em Dili (a capital) num dos eventos em memória das vítimas do massacre de Santa Cruz pedindo que o ex-ditador indonésio Suharto (1966-98) e Wiranto, ex-comandante das forças armadas indonésias, sejam apresentados perante um tribunal internacional de crimes de guerra. Durante todo o dia, feriado nacional em Timor Leste, ações religiosas, cerimônias oficiais e uma romagem ao cemitério de Santa Cruz recordam o massacre perpetrado em 1991 por soldados indonésios e que provocou mais de cem mortes. O dia começou com uma missa, seguindo-se uma cerimônia oficial em frente ao Palácio do Governo em Timor Leste, onde a bandeira nacional está a meia-haste, em homenagem aos mortos. Falando em nome do presidente Xanana Gusmão, ausente no exterior, o presidente do Parlamento Nacional, Francisco Guterres, disse que o acontecimento de 12 de Novembro de 1991 ficará para sempre na história de Timor Leste. Francisco Guterres fez notar ainda que os assassinatos são a confirmação de que "a luta pela libertação foi uma batalha longa e difícil". Ex-colônia portuguesa, a parte oriental da ilha do Timor, localizada entre a Austrália e a Indonésia, alcançou sua independência apenas em agosto de 1999, após o plebiscito que colocou fim aos 25 anos de domínio indonésio. Sob intensa pressão internacional, o Governo de Jacarta foi obrigado a acatar o resultado e a aceitar uma força de intervenção da ONU, que se encarregou da administração provisória do país. Com a nomeação do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello (que atualmente ocupa o cargo de alto comissário da ONU para os Direitos Humanos), responsável pela transição, o Timor Leste restabeleceu a paz, aprovou sua Constituição e elegeu para a Presidência Xanana Gusmão, poeta e antigo líder da FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor Leste Independente), que assumiu o comando do país em maio de 2002. |