Folha de São Paulo, 13 - XI - 2002

Paquistanês deve ter pena de morte
executada na quinta nos EUA

da Reuters, em Jarratt (EUA)

Mir Aimal Kasi, paquistanês que matou a tiros dois funcionários da CIA (agência de inteligência dos EUA) em 1993, no que os promotores públicos dizem que foi um "ato de fúria antiamericana", está com a morte agendada para quinta-feira (14), em uma câmara de execuções da Virgínia (leste dos EUA).

Somente o perdão da Suprema Corte dos Estados Unidos ou do governador da Virgínia, Mark Warner, considerado improvável, pode salvar Kasi de ser morto por injeção letal na câmara da morte do Centro Correcional de Greensville.

A mãe de Kasi e a embaixada do Paquistão pediram clemência a Warner, em uma petição que está sendo estudada pelo escritório do governador, segundo um porta-voz.

Mas nenhuma atitude a respeito da petição será tomada até que a Suprema Corte tome alguma decisão sobre o apelo de Kasi por uma suspensão da execução.

Apesar de não se acreditar que Kasi tenha ligação com grupos terroristas, o Departamento de Estado advertiu os norte-americanos, na semana passada, que a execução pode provocar ataques de retaliação em bases americanas no exterior.

Entretanto, um membro do grupo de defesa de Kasi afirmou que seu cliente "não quer que ninguém se machuque em seu nome ou como resultado de sua execução".

Kasi foi sentenciado à morte pelos assassinatos de Frank Darling, 28, e Lansing Bennett, 66. Eles foram mortos com disparos de um fuzil AK-47 de assalto, dentro de seus carros, que estava parado em um semáforo nos arredores da CIA, em Langley, na Virgínia, no dia 25 de janeiro de 1993.

Três outras pessoas, duas da CIA e um funcionário de uma companhia telefônica, ficaram feridas na ação, durante a qual Kasi disparou onze balas em cinco carros.

Quatro norte-americanos foram mortos por um grupo extremista no Paquistão durante o julgamento de Kasi, em 1997.

Testemunhas de defesa afirmaram que Kasi tem problemas mentais e que ele deveria ter sido condenado à prisão perpétua em vez de ter recebido a pena de morte.

Mas um agente do FBI testemunhou que Kasi confessou que queria punir o governo dos Estados Unidos por bombardear o Iraque e por entender que a CIA estava muito envolvida nos assuntos internos dos países muçulmanos.

Nativo de Karachi, no Paquistão, Kasi vivia em Reston (Virgínia). Ele foi para o Paquistão no dia seguinte ao crime e não foi encontrado por quatro anos.

Segundo as autoridades, ele passou a maior parte desse tempo no Afeganistão, que, mais tarde, emergiu como o ninho do movimento militante Taleban, ligado a Osama bin Laden e à rede Al Qaeda.

O FBI prendeu Kasi em seu quarto de hotel no centro do Paquistão em junho de 1997, e o trouxe de volta aos EUA para enfrentar julgamento.