Folha de São Paulo, 16 - XI - 2002
Atentado mata quatro
e deixa nove feridos na Rússia
|
da Folha Online, com agências internacionais Um tentativa de sequestro de passageiros de um ônibus causou a morte hoje de quatro pessoas e deixou nove feridos na república russa de Inguchétia, vizinha da Tchetchênia, segundo informações da agência Interfax. Três tchetchenos, carregando pistolas e jornais, identificaram-se como policiais russos, pararam um ônibus e tentaram sequestrar dois passageiros, segundo informações da polícia local. Um dos tchetchenos abriu fogo contra os passageiros ferindo pessoas que estavam na calçada, enquanto outro detonou uma granada dentro do ônibus. Um homem e três mulheres morreram no local, outras nove pessoas ficaram feridas. Após a ação, os tchetchenos colocaram um sobrevivente dentro do carro e fugiram, mas, após perseguição, a polícia parou o carro e prendeu todos os ocupantes do veículo na fronteira entre Inguchétia e a Tchetchênia. No dia 23 de outubro, um grupo de rebeldes tchetchenos tomou um teatro de Moscou e fez cerca de oitocentas pessoas reféns durante 58 horas. Os rebeldes reivindicavam a retirada imediata das forças russas da Tchetchênia. Sem chegar a um acordo, a polícia de Moscou lançou um gás a base ópio dentro do teatro e deu início à operação de resgate: o gás causou a morte de 128 reféns. Outros dois reféns morreram baleados pelos terroristas. Todos os cinquenta rebeldes que invadiram o teatro também morreram no incidente, totalizando, até o momento, 178 mortos. O Exército russo entrou na Tchetchênia no final de setembro de 1999, alegando combater grupos terroristas islâmicos. Após quase dois anos de combates, Moscou domina a maior parte da região, incluindo a capital, Grosni, e as principais cidades. A Tchetchênia, de maioria muçulmana, é formalmente uma república russa, mas havia conquistado autonomia após o conflito travado com Moscou entre 1994 e 1996. A região foi anexada pela Rússia no século dezoito, ainda na época dos czares. Organizações internacionais criticam, desde o início da ofensiva russa, o desrespeito aos Direitos Humanos. Civis e rebeldes tchetchenos teriam sido barbaramente torturados e mortos por soldados russos. O presidente russo, Vladimir Putin, se tornou a figura mais popular na política do país graças à sua ação na ofensiva na Tchetchênia e ganhou a eleição presidencial ocorrida em março de 2000. Conflito Em dezembro de 1994 a Rússia desencadeou a guerra contra a República independentista da Tchechênia. O conflito durou 21 meses, deixou milhares de mortos e terminou com a retirada dos russos. A Tchetchênia, que faz parte do território russo, passou a gozar de ampla autonomia. Em setembro de 1999, Putin ordenou nova ofensiva militar contra a Tchechênia, considerada uma república rebelde, alegando que a Província abrigaria rebeldes islâmicos que pretendiam estabelecer uma República fundamentalista no Daguestão, região vizinha à Tchechênia. Segundo o Governo da Rússia, os rebeldes seriam os responsáveis pelos atentados terroristas que deixaram quase trezentos mortos em 1999. No mês passado, cerca de catorze rebeldes tchetchenos e dois soldados russos morreram em dois dias de confrontos. Dez rebeldes foram mortos durante tiroteios com o Exército russo, e dois soldados russos morreram na explosão de uma mina na região de Chali (sudeste). O último balanço oficial russo é de 4.249 mortos desde julho de 1999, data em que começou a intervenção das forças federais no Cáucaso do Norte. |