Folha de São Paulo, 26 - XI - 2002

Milhares de mulheres
são prostituídas à força na Bósnia, diz ONG

da France Presse, em Nova York

Na Bósnia floresce uma rede de tráfico de mulheres brancas com a cumplicidade da polícia local e internacional, denunciou hoje a organização não-governamental Human Rights Watch.

Estima-se que milhares de mulheres foram vítimas dos traficantes após terem sido enganadas, ameaçadas e em geral abusadas fisicamente, assinalou a HRW com base em Nova York.

Em um relatório especial, Human Rights Watch revela como policiais bósnios facilitam o tráfico criando documentação falsa, visitando bordéis para obter serviços gratuitos, e às vezes participando diretamente do negócio da prostituição.

O relatório cita também documentos da ONU que revelam casos de oficiais da Força Internacional de Polícia visitando clubes noturnos como clientes de mulheres recrutadas à força, e fazendo acertos para que estas prostitutas sejam levadas às suas residências.

"A polícia local e internacional deveria proteger estas mulheres, não participar do abuso contra elas", disse Shawn R.Jefferson, diretor-executivo da divisão Mulheres da Human Rights Watch.

"Todos traem as mulheres vítimas do tráfico: os agentes que as recrutam, a polícia encarregada de protegê-las, e os indivíduos da comunidade internacional que juraram manter a justiça". acrescentou.

Com base em uma investigação de três anos, o relatório diz que duas mil mulheres - a maioria da Moldávia, Romênia e Ucrânia - foram atraídas à Bósnia com promessas de trabalho, presas na obrigação de pagar uma dívida e obrigadas a se prostituírem.

A polícia internacional das Nações Unidas se estabeleceu na Bósnia após os acordos de paz que deram fim à guerra de 1992-95, com a missão de treinar e supervisionar o trabalho da polícia local.