Folha de São Paulo, 1 - III - 2003

Integrante da Ku Klux Klan
é condenado por assassinato de 1966

da Reuters, em Jackson (EUA)

Um júri do Estado norte-americano do Mississippi declarou hoje um integrante de 72 anos da Ku Klux Klan culpado do homicídio de um homem negro em 1966, em uma tentativa de atrair e assassinar o ativista dos direitos civis Martin Luther King.

Ernest Avants, acusado de integrar um trio do grupo racista que sequestrou e baleou Ben Chester White no Parque Nacional Homochitto, no sudoeste de Mississippi, manteve-se imperturbável enquanto era lido o veredicto do júri na corte federal de Jackson, capital do Estado.

Avants, que está em delicado estado de saúde, pode ser condenado à prisão perpétua quando a sentença for anunciada em 9 de maio.

Seus dois supostos acompanhantes na conspiração já estão mortos.

"É como ter ficado com fome por muito tempo e depois receber uma boa comida", disse Jesse White, filho da vítima. "Ensinaram-se a perdoar...Eles [a família Avants] têm minhas orações e minha compaixão".

A promotoria baseou a acusação em provas médicas da necropsia realizada em 1966 no corpo de White, assim como em uma confissão de Avants durante um interrogatório de agentes do FBI (polícia federal norte-americana) no ano seguinte.

Nos argumentos finais de hoje, o advogado do Departamento de Justiça Paige Fitzgerald disse que os comentários de Avants ao FBI desfazem qualquer dúvida de que participou ativamente do crime.