Folha de São Paulo, 12 - VI - 2003
Baixas civis no Iraque
superaram 3.240
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Com agências internacionais Apesar da sofisticação do arsenal anglo-americano, dotado de "bombas inteligentes" que evitariam baixas desnecessárias, pelo menos 3.240 civis morreram durante um mês de guerra no Iraque -do início, em 20 de março, até 20 de abril, dez dias antes de o presidente americano, George W. Bush, declarar os principais combates encerrados. Segundo a Associated Press, que compilou o número durante cinco semanas de pesquisas em hospitais de todo o país, o valor ainda é "fragmentário" e o saldo total, se pudesse ser tabulado, seria muito maior. Dificuldades de acesso e problemas de segurança limitaram a pesquisa a 60 dos 124 hospitais iraquianos. Também foram excluídas, por exemplo, pessoas que morreram nas ruas e cujos corpos nem sequer chegaram a dar entrada nesses estabelecimentos. Mas todos os hospitais em Bagdá foram visitados pela AP. Na capital, os mortos chegaram a 1.896. O site iraqbodycount.net, que contabiliza o saldo de civis mortos, coloca em 5.531 o número mínimo e em 7.203 o máximo. A contagem do site começa em 1 de janeiro, quando os primeiros soldados chegaram à base americana no Kuait e segue até 1 de junho. O iraqbodycount.net usa como fonte notícias e registros da imprensa. Já a tabulação da AP foi feita exclusivamente com base em dados fornecidos por hospitais -sob a forma de entrevistas, visitas ou checagem de prontuários. Mortos cuja identidade -se civil ou militar- não pôde ser verificada não foram contabilizados pela agência. Esforço militar Durante as primeiras semanas de guerra, o Governo iraquiano manteve uma contagem dos mortos, mas a tabulação foi interrompida pela derrubada do poder central, em 9 de abril. Já os militares americanos e britânicos disseram não contabilizar os mortos civis por estarem concentrados nos esforços militares. Na Guerra do Golfo, em 1991, o número de civis mortos teria chegado a 2.278, segundo dados do Ministério da Defesa iraquiano citados pela Associated Press. Não houve contagem independente. A guerra em terra durou cem horas, e o bombardeio, sete semanas. Entretanto, em 1991, nenhuma cidade iraquiana fora invadida pela coalizão, e o regime em Bagdá não posicionara tropas em bairros residenciais -diferente do que ocorreu este ano. |