ABC - miércoles 21 de enero de 2004

Miles de niños son reclutados
y maltratados en 18 países

NUEVA YORK. ALFONSO ARMADA CORRESPONSAL

La conciencia violentada por los agravios que sufren cada año decenas de miles de niños, convertidos en soldados y obligados a cometer o sufrir un espectro insoportable de atrocidades, hizo que la sesión especial de ayer del Consejo de Seguridad de Naciones Unidas estuviera superpoblada de oradores.

Las conclusiones del último informe de la organización Human Rights Watch, y las declaraciones de la directora de UNICEF y del vicesecretario general de la ONU para los niños en conflictos armados, volvieron a encender más alarmas que esperanzas.

En al menos dieciocho países de África, Asia, América Latina y Oriente Medio, decenas de miles de niños fueron a lo largo del año pasado reclutados a la fuerza, convertidos en soldados, maltratados, obligados a cometer o sufrir atrocidades, violados, mutilados y asesinados.

Palabras como "inaceptable" e "impunidad" poblaron la intervención de Olara Otunnu, representante especial del secretario general de la ONU para los niños arrastrados por la marea de los conflictos armados, que pidió al Consejo de Seguridad que no se limite a escuchar los informes, sino que actúe contra los países implicados en estos reclutamientos.

Aunque Otunnu empezó haciendo hincapié en los logros, en el hecho de que los niños hayan pasado a engrosar la agenda internacional sobre paz y seguridad, conflictos como los de Liberia, Sierra Leona, República Democrática de Congo, Uganda, Costa de Marfil, Sudán, Indonesia, Filipinas, Colombia, Iraq o los territorios palestinos ocupados ha vuelto a ver el año pasado cómo los niños no sólo nutrían el listado de víctimas sino el de reclutamiento tanto por parte de grupos armados como de Gobiernos.

El exhaustivo informe elaborado para impedir la utilización de niños como soldados abunda en la senda explorada por el último informe de la oficina de Otunnu en cuanto a violaciones y asesinatos, secuestros, explotación de niños en zonas ricas en recursos naturales y sobre todo empleo como combatientes.

Folha de São Paulo, 22 - I - 2004

Rebeldes do Sri Lanka
recrutam 709 crianças, diz UNICEF

Com Associated Press

O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) exigiu hoje a libertação de centenas de crianças que trabalham como soldados no Sri Lanka, supostamente recrutadas pelo grupo separatista Tigres Tâmeis, apesar de um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2002 durante uma das mais longas guerras civis na Ásia.

Os Tigres Tâmeis, que há vinte anos confrontam o Governo do Sri Lanka em busca de um Estado independente para a minoria tâmil, recrutaram 709 crianças no ano passado, afirmou o UNICEF em seu primeiro informe desde que lançou um projeto de US$ catorze milhões para reabilitar cinquenta mil crianças afetadas pelo conflito.

"Os Tigres Tâmeis devem parar com o recrutamento das crianças. Os Tigres Tâmeis devem libertar todas as crianças que trabalham como soldados", afirmou o UNICEF em um informe lançado hoje.

O UNICEF lançou seu "Plano de Ação para Crianças Afetadas pela Guerra" em julho passado para ajudar crianças que trabalham como soldados, assim como crianças que ficaram órfãs, mutiladas e traumatizadas pelo conflito no Sri Lanka.

"Não pode haver mais campanhas de recrutamento [de crianças]", afirmou o UNICEF, acrescentando que rebeldes recrutaram 115 crianças para trabalhar como soldados apenas em setembro passado.

Os Tigres Tâmeis admitiram ter recrutado crianças, mas disseram que pararam de alistar combatentes com menos de dezoito anos. Eles afirmam, porém, que as crianças voluntariamente procuram refúgio com o grupo separatista para escapar da pobreza e da importunação dos militares do Governo.

Seqüestro

Pais afirmam que os rebeldes seqüestram seus filhos de suas casas ou no caminho para a escola.

Grupos de defesa dos Direitos Humanos estimam que, de 1983 até o cessar-fogo de fevereiro de 2002, os Tigres Tâmeis usaram de 2.000 a 4.000 crianças como soldados em sua luta por um Estado independente para a minoria tâmil.

A idade média das crianças recrutadas era de quinze anos, e o mais novo tinha apenas dez anos.

A guerra civil matou cerca de 65 mil pessoas.

Embora os Tigres Tâmeis tenham prometido devolver todas as crianças para suas casas, o informe do UNICEF afirmou que os rebeldes libertaram apenas 202 crianças.