Folha de São Paulo, 7 - III - 2004

ONG diz que há
27 milhões de escravos no mundo

ROGERIO WASSERMANN, free-lance para a Folha de São Paulo de Londres

Cerca de 27 milhões de pessoas trabalham como escravas no mundo, segundo estudo divulgado no final de 2003 pela ONG Anti-Slavery International. A grande maioria é obrigada a trabalhar para pagar dívidas contraídas com seus próprios empregadores.

Há várias modalidades de escravidão: a imposta por meio da força, o trabalho infantil não remunerado, a exploração sexual de crianças e o casamento forçado.

Segundo relatório da Anti-Slavery International, a escravidão é fomentada "pela pobreza, pela vulnerabilidade das pessoas e pela falta de vontade política para combater a prática".

O Sudão é citado como um dos principais focos do chamado trabalho escravo "tradicional", no qual as pessoas são forçadas a trabalhar por meio da coerção física e comercializadas ou presenteadas de uma pessoa a outra como se fossem mercadorias.

Até catorze mil pessoas teriam sido escravizadas no país dessa maneira desde 1983.

Brasil

Em 2003, o Ministério do Trabalho brasileiro libertou 4.932 trabalhadores em situação análoga à escravidão. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Igreja Católica, calcula que existam 25 mil pessoas nessas condições no Brasil.

Já o sociólogo americano Kevin Bales, 51, considerado o maior especialista mundial em escravidão contemporânea, acha que o número possa chegar a duzentos mil.

Os escravos são principalmente trabalhadores rurais arregimentados em regiões miseráveis, geralmente do Maranhão e do Piauí, sob a promessa de trabalho temporário em fazendas do sul do Pará e do norte de Mato Grosso.