Folha de São Paulo, 17 - V - 2004

Ataque de rebeldes mata 22 civis em Uganda

Com agências internacionais

Um grupo de rebeldes matou ao menos 22 civis no norte de Uganda durante uma incursão em um campo onde vivem pessoas que perderam suas casas por causa da guerra civil que já dura dezoito anos na região. As informações são de Paddy Ankunda, porta-voz do Exército.

Três membros do grupo integralista cristão Exército de Resistência do Senhor (LRA), que luta para derrubar o presidente Yoweri Museveni, também morreram e um soldado do Exército de Uganda ficou ferido durante o ataque no distrito de Gulu, 360 quilômetros ao norte da capital Campala, de acordo com o porta-voz.

Segundo ele, três unidades rebeldes atacaram o campo de refugiados que abriga cerca de quinze mil pessoas, na noite de ontem.

"Um dos grupos chegou para seqüestras pessoas e matar, outro atacou os seguranças e o terceiro saqueou depósitos de alimentos", disse Ankunda.

Os rebeldes seqüestraram dezoito pessoas que foram encontradas mortas a cinco quilômetros do campo. Outras quatro pessoas morreram durante a troca de tiros entre rebeldes e soldados do Exército.

Os rebeldes também queimaram mais de cem cabanas, segundo o porta-voz.

Em fevereiro, mais de duzentas pessoas foram massacradas em outro campo de refugiados, onde rebeldes mataram pessoas a tiro quando elas tentavam fugir, outras foram queimadas vivas quando se escondiam agachadas dentro de suas cabanas.

A maioria dos ataques do LRA serve para roubar comida e seqüestrar crianças -as meninas se tornam escravas sexuais, e os meninos vão para o combate.