Folha de São Paulo, 10 - IX - 2004
Exército dos EUA
prende repórter da BBC no Afeganistão
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ANDREW NORTH, da BBC Brasil, em Cabul O Exército dos Estados Unidos pediu desculpas por ter detido e interrogado um repórter do Serviço Mundial da BBC na base aérea de Bagram, norte de Cabul (capital do Afeganistão). Kamal Sadat, um afegão que também trabalhava para a agência de notícias Reuters, foi preso em sua casa no leste do Afeganistão por soldados americanos nesta quarta-feira. O Exército dos EUA disse que havia recebido informações de que ele representava uma ameaça, mas oficiais o libertaram nesta sexta-feira. Os EUA detêm, em Bagram, centenas de "suspeitos de terrorismo" sem acusações formais. Sadat, que trabalha para os serviços das línguas pashtu e dari da BBC, é um repórter muito conhecido no Afeganistão. Baseado na Província de Khost, leste do Afeganistão, Sadat trabalha para a empresa há quase dois anos. Engano Nesta quarta-feira à noite, ele disse, soldados americanos invadiram sua casa, derrubando a porta. Armas foram apontadas contra membros de sua família. Quando os americanos o chamaram, ele se identificou como jornalista da BBC e mostrou sua carteira de identidade e uma outra da Reuters. Mas após fazer uma busca na residência e remover equipamentos e vários blocos de anotação, os soldados levaram Sadat para uma base dos EUA. Lá, o jornalista contou, ele foi encapuzado e colocado dentro de um avião, mas não foi avisado onde estaria sendo levado e o porquê. Queixa Nesta quinta-feira, o Exército americano confirmou à BBC em Cabul que Sadat estava detido em Bagram. Falando após sua libertação, o repórter disse que não sabe onde estava. Ele foi mantido em uma cela pequena e sem janelas, encapuzado a maior parte do tempo e interrogado por um oficial americano sobre seu trabalho. Na quinta-feira à noite, o Exército dos EUA disse à BBC que a prisão de Sadat foi um engano e em um comunicado pediu desculpas ao repórter e à sua família. A BBC disse que está muito preocupada com o incidente e fará uma queixa formal às autoridades do Exército dos EUA no Afeganistão e em Washington. |