Folha de São Paulo, 23 - IX - 2004

Prostitutas fazem congresso internacional em Lima

da France Presse, em Lima

Prostitutas do Brasil e de outros cinco países da América Latina iniciaram nesta quinta-feira, em Lima, um encontro internacional em busca do reconhecimento de seus direitos e contra as perseguições e exploração que sofrem.

O congresso, denominado Encontro Internacional de Líderes Trabalhadoras do Sexo, começou discretamente em um hotel de Lima (capital do Peru), com a presença de delegadas do Brasil, Argentina, Equador, México, Chile e Peru.

Um dos objetivos do encontro é formar uma frente internacional de profissionais do sexo para defender as prostitutas contra os constantes abusos que sofrem em todos os países da América Latina.

"Já existe uma Rede Latino-Americana de Trabalhadoras do Sexo, que reúne diversos sindicatos criados nos últimos anos", disse uma porta-voz da Associação de Trabalhadoras do Sexo Miluska: Vida e Dignidade, entidade peruana organizadora do evento.

"Há uma grande carga social e moral que pesa sobre as trabalhadoras do sexo", disse a delegada peruana.

"As trabalhadoras do sexo exercem um trabalho como qualquer outro e não devem ser chamadas por nomes pejorativos", disse também.

Outra delegada lembrou que a prostituição está ligada diretamente à pobreza: "É uma questão de sobrevivência, porque não há outra opção. É uma conseqüência direta da pobreza".

"Se as trabalhadoras do sexo pudessem fazer outra coisa, certamente não estariam nesta profissão, mas a maioria é empurrada pela falta de emprego e a situação gerada pela crise econômica na América Latina".