Folha de São Paulo, 10 - X - 2004

Regime de Pinochet
teve mais de trinta mil torturados

da France Presse, em Santiago

Um relatório oficial sobre as torturas durante o período de ditadura do ex-ditador Augusto Pinochet (1973-90) revelou que esta foi uma prática sistemática aplicada pelos agentes do regime a mais de trinta mil presos políticos, segundo o jornal chileno La Nación.

O documento elaborado pela Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura será entregue no final de outubro ao presidente Ricardo Lagos, que deve decidir pessoalmente a data em que será divulgado, afirmou o jornal.

A investigação a que teve acesso o jornal conclui que a prática de torturas foi uma política de Estado que envolveu todos os ramos das Forças Armadas.

O documento explica e menciona cada lugar de tortura, região por região, cidade por cidade. Relata também os tipos de tormentos infligidos e tentam explicar os efeitos sociais e psicológicos que estes deixaram nas vítimas.

Entretanto, o informe não fornece o nome dos torturados nem de quem deu as ordens.

O relatório foi elaborado a pedido do presidente Lagos, que solicitou, há um ano, que todos os chilenos vítimas de torturas testemunhassem. A idéia era elaborar um documento que servisse como base para calcular futuras compensações econômicas para as vítimas que não foram incluídas até agora nos planos de reparação pelas violações contra os Direitos Humanos.

Este novo relatório foi precedido pelo 'Informe Rettig', divulgado em 1991, que relatava execuções e desaparecimentos forçados durante a ditadura.

O documento concluiu que a ditadura de dezassete anos (1973-1990) liderada pelo Pinochet foi responsável pela morte e desaparecimento de mais de três mil presos políticos.