Folha de São Paulo, 16 - X - 2004

Exército israelense destrói
oitenta casas em dezassete dias em Gaza

Com agências internacionais

A ofensiva militar israelense Dias de Penitência, na qual morreram 134 palestinos e mais de trezentos ficaram feridos, deixou oitenta casas destruídas no campo de refugiados de Jabalya e em sua vizinha, Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, segundo anunciaram grupos palestinos pró direitos humanos.

As tropas israelenses se retiraram na sexta-feira do campo de refugiados de Jabalya e da localidade de Beit Lahia e tomaram posições nas colinas adjacentes, dentro do território palestino.

A ação começou há dezassete dias, depois que um foguete matou duas crianças israelenses na cidade de Sderot.

Dos 134 palestinos mortos na ofensiva, cerca de trinta eram crianças.

Muitas das casas foram demolidas para facilitar a passagem dos blindados israelenses, usados na vigilância à região. Segundo as organizações, algumas pertenciam a famílias de membros da resistência e outras foram destruídas como de advertência.

A prática da demolição de casas foi resgatada por Israel do mandato britânico (1917-1948) e apoiada pelo primeiro-ministro Ariel Sharon.

Os métodos de demolição consistem habitualmente em rodear a casa marcada e muitas vezes e dar aos residentes a ordem de evacuá-la em menos de vinte minutos. Em seguida o imóvel é destruído.

Segurança reforçada

Na sexta-feira, o Governo israelense reforçou a segurança em Jerusalém no primeiro dia do Ramadã. Milhares de muçulmanos rezam desde então na Esplanada das Mesquitas, na parte velha de Jerusalém (capital nacional e sede do Governo de Israel), sob forte vigilância da polícia israelense.

O Ramadã é mês sagrado dos muçulmanos. Nessa época, comer, beber e manter relações sexuais são atividades proibidas entre a alvorada e anoitecer.